O Partido dos Trabalhadores (PT) e membros da equipe do presidente Lula estão criticando o Banco Central (BC) após a interrupção do ciclo de cortes na taxa Selic, que permanece em 13,75% ao ano. Os petistas alegam que o Copom se rendeu às pressões do mercado, e alguns defendem que Lula deveria indicar diretores mais alinhados à redução dos juros.
A justificativa do Copom para a manutenção da taxa é a incerteza fiscal e as pressões inflacionárias no curto prazo. O mercado já esperava essa decisão, dado o cenário de inflação crescente e o risco de déficits nas contas públicas. Embora Lula tenha prometido responsabilidade fiscal em seu quarto mandato, detalhes sobre as propostas da equipe econômica para atingir um superávit primário de 0,5% do PIB em 2024 ainda são escassos.
No próximo domingo, Lula fará um pronunciamento reafirmando seu compromisso com a responsabilidade fiscal, mas garantirá que não haverá cortes em programas sociais, evitando o que alguns chamam de “estelionato eleitoral”. O vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias, criticou o BC, afirmando que a interrupção dos cortes foi uma resposta às pressões do mercado.
Recentemente, o PT considerou uma proposta do economista André Lara Resende, que sugeria a redução da Selic para 7,5% ao ano em doze meses, seguida pela criação de um teto para a taxa de juros e a meta fiscal. No entanto, essa ideia foi rechaçada por economistas, que alertaram sobre os riscos envolvidos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, está elaborando medidas para garantir o cumprimento das metas fiscais, que serão apresentadas a Lula após sua viagem à Turquia para a COP 30. Além disso, duas vagas na diretoria do BC estão abertas, e há pressão interna para que Lula escolha diretores que favoreçam a redução da taxa de juros, embora interlocutores afirmem que ele não tomará essa medida para evitar crises com investidores.



